FORMIGUEIRO HUMANO

A população do mundo chega a sete bilhões de pessoas. A China é responsável por praticamente um quinto  desta população, ou seja : a  China tem uma população de um bilhão, trezentos e quarenta milhões de habitantes. Hoje a população do Brasil é de  mais ou menos  cento e noventa milhões  e setecentos  mil habitantes. Entre toda a população brasileira, ou melhor,  entre toda a população mundial  jamais  teríamos a possibilidade de encontrarmos duas pessoas completamente iguais . Não existe a menor  possibilidade de isto ocorrer. E entre outros animais, pássaros, insetos, será que existem muitos exatamente iguais? Foi tentando responder esta questão, que resolvi me dedicar de corpo e alma num empreendimento sem precedência.

            Escolhi para esta empreitada trabalhar com um formigueiro e como não podia deixar de ser peguei um formigueiro de saúva  gênero Atta, estas formigas simpáticas, são formigas  cortadeiras, ou seja: cortam material vegetal (folhas ou flores). As operárias da saúva alimentam-se basicamente da seiva que as plantas liberam enquanto estão sendo cortadas. Pedaços de material vegetal são levados até o formigueiro onde existe um fungo que as formigas cultivam. As operárias então picam em pequeninos pedaços o material vegetal e os inserem no meio do fungo , que vive deste substrato. Envoltas neste fungo são encontradas as larvas que dele se alimentam .

            As  formigas cortadeiras são encontradas nas Américas com exceção do Chile. No Brasil ocorrem várias espécies deste delicado inseto.

            A primeira coisa que notei é que a exemplo do ser humano, elas também são completamente diferentes umas das outras, se a gente não conviver com elas por um longo período, jamais poderá fazer qualquer comparação. De cara notei algumas particularidades: elas se comunicam através de sinais e principalmente falando um linguajar bem interessante.

            Outra coisa que notei de imediato é que  elas tem nome. Este formigueiro que adotei para fazer minhas experiências, não era muito grande,  com uma variação para mais ou  para menos de mais ou menos dois pontos percentuais, na minha primeira contagem  tinha cento e oitenta e quatro mil, duzentas e vinte e nove formigas.   Destas duzentas e treze estavam se recuperando  de enfermidades , algumas com fraturas e outras com traumatismo craniano. Existia também uma grande quantidade que vinha de envenenamento recente.  O homem faz com os animais e principalmente com os insetos todo tipo de barbaridade, a começar com os  chutes, as pisadas, etc..

            Contaram-me  e eu acredito piamente , que um sujeito na impossibilidade de envenenar um formigueiro, bolou uma estratégia ainda mais catastrófica, durante um dia bastante ensolarado, e isto lá por volta do meio dia quando  o sol é mais contundente, o cara colocou uma pedra atravessada no carreiro das formigas, fazendo com que as mesmas por falta de alternativa  fossem obrigadas a passar por cima da mesma. Se não  bastasse a dificuldade que as indefesas bichinhas tinham para atravessar por cima daquele obstáculo, o sujeito ainda colocou rapé  (um tipo de tabaco em pó para  inalar) em cima da pedra. Quando as ingênuas  bichinhas estavam no meio da travessia, elas levantavam a cabecinha para espirrar e ao abaixar novamente a cabeça, batia com o narizinho na pedra, fraturando  o mesmo e tendo morte quase instantânea.

            Mas minha pesquisa não se  restringiu somente a estas particularidades, foi muito mais abrangente, notei  que a formiga tem seis pernas todas colocadas no meio do corpo, sendo três de cada lado. Notei também  que ela tem dois tendões muito parecidos com as próprias pernas e que ficam mais ou menos na altura do pescoço.  Acredito que estes tendões funcionam como radar.  A cabeça da formiga é do tamanho da metade de seu corpo. Ela possui  duas lâminas na boca    como se fossem duas serras, que são usadas para cortar  as folhas.

As tarefas são distribuídas com bastante critério, umas são encarregadas de colherem somente folhas secas, outras de folhas verdes, algumas de procurar somente insetos, tem as que andam pela redondeza a procura de novos alimentos, existe as que funcionam como olheiras, outras  como segurança,  enfim,  para cada coisa tem as operárias designadas.

O sistema de comunicação também é muito interessante, ao passar por outra formiga, as vezes ela tem algum recado para passar, então elas dão uma pequena paradinha e trocam alguns sinais, ou conversam bem baixinho numa espécie de telefone sem fio.

Mais muita coisa as formigas têm de muito parecido com o ser humano; uma das formigas que estava em observação era bem ruivinha, digamos que estava mais para lourinha e era encarregada de cortar as folhas bem na pontinha da árvore. Durante o tempo que ficou sendo observada ela caiu juntamente com a folha cortada  por diversas vezes, é que ela ficava na pontinha da folha e assim  que esta era cortada não tinha como se agarrar em qualquer outra coisa. De acordo com falatório das suas conterrâneas, ela já teria fraturado as pernas por diversas vezes.

Com  o passar do tempo fiquei sabendo até os nomes de muitas delas, fiquei muito surpreso, porque apesar da enorme quantidade os nomes não são muito repetidos. O idioma das formigas é o formiguim e é bastante parecido com o idioma chinês, o mandarim.

O principal motivo que me levaram a fazer esta pesquisa, era saber se existia pelo menos duas formigas exatamente iguais, pois posso adiantar com absoluta certeza que não existe, cheguei a encontrar algumas bastante parecidas, mas não absolutamente iguais.

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